VIVA deu a Zuca e Luis o protagonismo que nunca tiveram na Globo

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Demorou 15 anos e três exibições para os que realmente deveriam ser protagonistas da novela “Cabocla” (2004) serem tratados como tal. Quem acompanhou as outras duas apresentações da trama, em 2004 – transmissão original – e em 2008, na reprise do Vale a Pena Ver de Novo, sabe que o casal sempre foi apagado e desmerecido pela Globo, assim como por Benedito Ruy Barbosa, que parece apenas ter usado o título do romance de Ribeiro Couto para atrair público.

Logotipo oficial da versão de 2004. (Foto: Reprodução)

A novela se chama “Cabocla”; é a figura de Zuca que estampa o logotipo da obra; ela é uma cabocla, de fato, mas dentro da novela nem parece protagonista, e realmente não é. O folhetim é quase, inteiramente, dos coronéis Boanerges e Justino, e o romance que conquistou o público foi o de Belinha e Neco, filhos dos coronéis rivais, sempre mais atrativo para os telespectadores – até esta reapresentação de 2019/2020 pelo VIVA, que reverteu a situação quinze anos depois.

Mauro Mendonça interpretou Justino. Tony Ramos foi Boanerges. Ao fundo, Danton Melo e Regiane Alves como Neco e Belinha. (Foto: TV Globo/Divulgação)
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Participando dos grupos da novela, notei que Zuca e Luis finalmente ganharam o protagonismo que nunca antes tiveram. Sabemos que tanto na versão original, em 1979, e no remake de 2004, a situação foi a mesma. Mas vamos nos ater somente ao remake. Diferente das outras duas exibições, desta vez, ninguém deprecia ou critica os personagens de Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira, pelo contrário. A cabocla e o “doutorzinho” eram ignorados e pouco quistos pelo público, que só sabia enaltecer Belinha e Neco. Dá pra entender? Agora o jogo virou. Dia desses, alguns dos grupos sobre a novela publicaram enquetes perguntando “qual o casal favorito?”, e pasmem, Luis e Zuca venceram todas. Fiquei impressionado! E ao ver os resultados dessas enquetes tive a ideia de escrever esse texto, pois me lembrei que todas as outras vezes foi diferente.

Uma das enquetes em que o casal ganhou como preferido, esta, publicada pelo próprio Canal VIVA. (Foto: Reprodução)

O VIVA, creio eu, é o grande responsável por esse novo olhar da audiência para a trama. A começar pelas primeiras chamadas de divulgação, em setembro do ano passado. Zuca e Luis ganharam o destaque que nunca tiveram na Globo. Para se ter uma ideia, nas chamadas de 2004 e 2008 apresentadas pela emissora dos Marinho, o casal nem era anunciado, com exceção do primeiro teaser, e somente ele. Depois disso, ganharam chamadas tímidas e separadas. Compare as chamadas de todas as transmissões:

Em 2004, durante a divulgação, casal só apareceu no teaser e depois nunca mais.
A divulgação do Vale a Pena Ver de Novo, em 2008, reaproveitou as chamadas de 2004.
No VIVA foi diferente.

O canal pago os apresentou como protagonistas, e foi educando o público a vê-los como tal. É a imagem dos dois que estampa as tarjas de encerramento – coisa de protagonista – e todas as chamadas-padrão da novela são com imagens do casal. Se fosse na Globo, certamente seriam os coronéis ou Neco e Belinha a estampar e dar identidade à trama.

Tarja de encerramento exibida pelo VIVA em todos os capítulos. (Foto: Reprodução)

Sou suspeito para falar pois, desde a exibição original, sempre amei a personagem Zuca e a história dela com Luis Jerônimo. No meu coração sempre foram os protagonistas, e a primeira vez que assisti, ainda criança, foi por gostar dos dois. Hoje aprecio a trama por completo, mas antes, só o que me interessava era o casal. Matutando e pesquisando recentemente, cheguei a conclusão de que o nome “Cabocla” foi dado à versão original, em 1979, apenas como marketing para vender a história no contexto da época.

Obras que inspiraram a novela. (Fotos: Reprodução)

Suponho que Benedito Ruy Barbosa queria mesmo é contar a história dos coronéis, mas ficou com medo pois não havia um romance ali e as novelas naquela época eram marcadas por esse elemento. O público na década de 70 era majoritariamente feminino. As mulheres iriam se interessar pela rivalidade de Boanerges e Justino? Sem saber a resposta e preferindo não arriscar, Benedito se utilizou das obras de Ribeiro Couto “Cabocla” e “Prima Belinha”, já que história de amor nunca foi seu forte. Entre os títulos, “Cabocla” é o mais imponente, e assim ficou. Porque não é possível. Desde o primeiro capítulo, da primeira à última cena, o destaque principal é para os benditos coronéis e Neco e Belinha. Este casal, inclusive, encerra o capítulo 01, e os coronéis são os que abrem o mesmo capítulo.

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A trama de Luis e Zuca é concluída três dias antes do fim. O casal tem uma tímida cena no penúltimo capítulo, mal aparecem e quase nem falam no último, que é todo dedicado a quem? À Belinha e Neco e à paz entre Justino e Boanerges. Como se não bastasse, o FIM é estampado na Belinha ganhando neném. Foi ela quem encerrou o primeiro e o último capítulo. E a Zuca? Bom, pelo menos ela sempre esteve lá, com a imagem bem definida no logotipo da novela. Serve?

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