Faltava à Amor de Mãe proximidade com o telespectador; plástica de cinema não funciona em novela

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Inicialmente um problema para a Globo, “Amor de Mãe” parece ter conseguido se estabelecer no horário nobre. A audiência reagiu e a situação preocupante, tanto de Ibope quanto de repercussão, foi normalizada.

A plástica equivocada para um produto inadequado, creio eu, foi um dos principais problemas que atrapalharam o desempenho da trama em seus primeiros meses. Havia um distanciamento com o telespectador. Câmeras em cima da geladeira da cozinha, ângulos afastados, abertos… o público não se sentia próximo de toda aquela gente. E é aí que está o ‘x’ da questão. O telespectador de telenovela precisa sentir proximidade com o personagem que vê na telinha, afinal, ele vai acompanhar a vida daquelas pessoas pelos próximos 6 meses. Como criar carisma, torcer, se empolgar e querer assistir uma história apresentada de cima da geladeira da cozinha ou com personagens de costas para o público por todo esse tempo?

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Num filme de uma hora e meia, duas horas, funciona muito bem. Mas veja, duas horas não são seis meses. É impossível comprar uma telenovela que apresente essa plástica distanciada, com o olhar de cinema, sem oferecer contato próximo com o público que lhe assiste. Torna-se incômodo. Esse problema já foi amenizado, lógico, em união com uma mudança abrupta no texto e nas personagens imposta por Silvio de Abreu. E tudo vem funcionando.

Os diretores precisam parar de confundir os estilos. Novela não é filme. São meses e meses no ar. É preciso ser confortável assistir um produto de ficção por tanto tempo assim. Claro, entendemos que todos esses profissionais são experts e estudam cada vez mais, se aprofundam e descobrem novos horizontes para imprimir na dramaturgia, mas a telenovela nunca poderá abrir mão dos closes, da câmera lenta, dos cortes de câmera, da captação e expressão da emoção, por mais montada que seja. São recursos que fazem o telespectador se sentir parte daquele universo, imerso naquela história. Toda vez que isso não acontecer, é fuga na certa.

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Eu friso sempre: inovar sem descaracterizar. A direção não foi a única culpada, o texto da autora também não servia para um folhetim. Ela construiu tipos detestáveis e revelou pouco em seu roteiro. Outra característica que sempre marcou os melodramas folhetinescos foi a revelação antecipada ao público (lógico que exemplos como o ‘quem matou?’ não se aplicam aqui). A audiência, na maioria dos casos, e dependendo da proposta, precisa saber das coisas antes dos personagens, para que seja criada a expectativa da revelação. A estratégia de segurar inúmeros mistérios também afugenta o telespectador noveleiro. Ele não se prende pois não sabe de nada daquela história, se sente feito de bobo. Fazendo um rápido paralelo, esse foi um dos fatos que contribuíram para o fracasso no Ibope de “Espelho da Vida” (2018): o público não saber nunca de nada. Quem gosta desse tipo de narrativa são os mais novos, espectadores de séries, os mesmos que repercutem na internet.

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“Amor de Mãe” se ajustou para agradar quem gosta de novela. Antes de iniciar um projeto, deve-se sempre pensar nessa audiência e em como ela consome as histórias propostas. Valeu o risco e a tentativa de quebrar paradigmas. Acredito que depois dessa experiência negativa, equívocos tão primários não devem aparecer tão cedo na teledramaturgia global.

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