Baseada em história real, há dois anos, terminava a última novela de raiz produzida no Brasil

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19 de março de 2018 marcou o fim de “Tempo de Amar”, novela que preservou os moldes tradicionais da teledramaturgia brasileira. O tradicionalismo começava pelo enredo: o drama de uma história de amor. Está cada vez mais difícil um folhetim ser baseado nisso, e somente nisso. Os romances que inauguraram a telenovela no Brasil são meros coadjuvantes das tramas de 2018 pra cá. Mas enfim…

A história de “Tempo de Amar” nasceu de um argumento chamado “Amor e Morte” do escritor Rubem Fonseca, narrando a história real da vinda de seus avós de Portugal para o Brasil. Não se sabe o que foi verdadeiro e o que não foi na novela, já que a trama caiu nas mãos do autor Alcides Nogueira, quem escreveu a obra por conta própria. Ele contou com Bia Corrêa do Lago como parceira na autoria, esta, filha de Rubem Fonseca e, portanto, bisneta dos protagonistas da história. Já tentei descobrir tudo sobre a trama da família, mas nunca consegui.

Atriz Vitória Strada, como a linda protagonista Maria Vitória, brilhou na primeira novela de sua carreira. (Foto: Reprodução)
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Carregada de emoção e eternizada pela ânsia de um reencontro, “Tempo de Amar” foi de “raiz” e ainda conseguiu apresentar muita coisa nova sem perder a essência de um bom folhetim. Os mocinhos Maria Vitória (Vitória Strada) e Inácio (Bruno Cabrerizo) contracenaram apenas nos seis primeiros capítulos e passaram quase a trama toda sem se ver. Foi o reencontro de protagonistas mais demorado da história das telenovelas: levou 113 capítulos para acontecer. Um recorde! Mais de 100 episódios trabalhados na linda e convincente construção daquele esperado momento.

Cena do reencontro, a mais aguardada da novela. Foi ao ar em 12 de fevereiro de 2018, encerrando o capítulo 119.(Foto: Reprodução)
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Inácio e Maria Vitória foram enganados pela vilã Lucinda, que entregou à mocinha falsas cinzas de seu amado. Ela deu à Maria Vitória os restos mortais da própria mãe afirmando serem de Inácio. Maria chegou a jogá-los no mar e fez uma cerimônia fúnebre de despedida para ele, no mesmo momento em que o rapaz se casava com a vilã, também enganado, crendo que Maria Vitória havia construído família na Espanha. Se você nunca viu essa sequência, recomendo que procure no Globoplay. Tem cerca de sete minutos. Fantástica! E a mais marcante para mim.

Cena exibida em 27 de novembro de 2017, ao final do capítulo de número 53. (Foto: Reprodução)
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No final, a história que teve uma condução toda tradicional apresentou um desfecho “nutella”, atendendo ao público de internet e consolidando Maria Vitória com Vicente (Bruno Ferrari). A mocinha passou a novela inteira em busca de Inácio, amando, e até o final declarou isso. Descobriu que foi enganada e nunca sequer reatou com o ex, pai de sua filha. Cedeu ao plano maquiavélico da vilã e quando reencontrou Inácio, após anos de procura, simplesmente não se permitiu reatar. Casada com Vicente, parece ter ficado com ele por gratidão, e também para atender ao telespectador de internet que cansou de esperar a volta do casal inicial. Como já disse, não sei o que aconteceu de verdade nessa história da família de Rubem Fonseca. Vai que esse foi o real desfecho, né? Prefiro acreditar que sim.

Mocinhos não ficaram juntos no último capítulo. (Foto: Reprodução)
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Envolta de sentimento, a novela chegou a ser apelidada de “Tempo de Sofrer”, pois os personagens sofriam muito. Direção impecável de Jayme Monjardim. Último folhetim bem construído, inclusive. O autor Alcides Nogueira não tinha pressa em contar sua história. Sem correria e atropelamentos, tudo ia se desenrolando em passos lentos, muito mais convincente para o telespectador, que se emociona e sente junto com os personagens em meio à demora. A exemplo do reencontro – protagonistas separados por 113 capítulos sem ao menos se ver, não é brincadeira.

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Inaceitável mesmo, só o desfecho. A obra com o título “Tempo de Amar” se encerrou deixando o mal prevalecer. Os vilões Lucinda e Fernão (Jayme Mattarazzo) não tiveram qualquer punição e fugiram felizes num navio cargueiro para a Europa. Lucinda fez mal para todos, destruiu a história de Maria Vitória e Inácio e ficou por isso mesmo. Uma novela de amor em que o mal venceu. Atípico, e nada tradicional. O único defeito desse folhetim de tamanha sensibilidade. Verdadeira dramaturgia de qualidade, de sentimentos, de bom e convincente desenvolvimento. A prova de que é possível ser fiel ao gênero sem descaracterizá-lo, apresentando um produto de raiz com toques de inovação.

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