Leitores da obra de Maria José Dupré comentam adaptação de Ângela Chaves

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“Tinha lido outros livros da Maria José Dupré na Biblioteca Municipal, e esse estava no setor de adultos. Eu quis ver os livros dela da sessão adulta e ele me chamou atenção, então emprestei pra ler”. Foi assim que o clássico Éramos Seis chegou nas mãos da pedagoga Anna Karolina, hoje com 36 anos. Ela tinha entre 11 e 12 quando conheceu a história.

Anna Karolina apresentando trabalho em um Congresso de Psicologia do Desenvolvimento. (Foto: Arquivo Pessoal)
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Karol conta que a maneira como Dupré redigiu a obra influenciou sua forma de escrever. “Falo que é o livro da minha vida, o que mais me marcou na infância – de literatura, é claro. Foi o que eu mais gostei”. Nascida na capital paulista, cidade onde se passa a trama, a professora cresceu em Americana, no interior do estado. Tamanha afetividade com o conto chegou a interferir em seu olhar sobre São Paulo durante uma visita à cidade após ler o livro. “Tudo aquilo, a localização, a Avenida Angélica, o Parque Buenos Aires… eu fui até São Paulo conhecer esses lugares. Imaginei a casa da Lola, toda aquela história… e quando encontrei me decepcionei bastante porque é uma selva de pedra, já não era mais como ela descreveu.”, relatou rindo cheia de nostalgia.

Fotos: Reprodução/TV Câmara de São Paulo
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Questionada sobre as adaptações para a TV, Anna Karolina acha que a versão do SBT foi bem mais fiel ao livro do que a da Globo. “Era a intenção deles fazer uma Lola mais avançada e menos submissa. Só que essa era uma característica dela, mas cada um faz a versão que quer, a inspiração foi livre. Achei que perdeu um pouco a essência”, comenta.

As mais famosas adaptações do livro de Maria José Dupré. (Fotos: Acervo/Divulgação)
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Ainda sobre o remake, que termina esta semana, Karol conclui que a releitura mudou sua percepção sobre um personagem e sobre si mesma. “Sempre me identifiquei mais com o Carlos, mas nessa versão, refletindo sobre a história – apesar de não ter assistido à novela toda – me identifiquei mais com o Alfredo. E não tem a ver com o ator, com a interpretação, mas sim com algumas atitudes. Talvez eu tenha mudado bastante ao longo desses anos”, ponderou.

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OUTRO RELATO

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O ator Lucas Liér teve seu primeiro contato com Éramos Seis também na infância, por empréstimo de um tio, que já havia lido o livro ainda pequeno e dizia ser um dos mais marcantes. O depoimento do tio fez ele receber a obra já com entusiasmo. “Li com muita paixão porque é sensível e emocionante. Eu releio e me lembra a minha mãe e tantas outras que lutam todos os dias. É inspirador”, conta.

O apego com a mãe contribuiu para que Éramos Seis fosse uma das maiores referência literárias para o ator, que reconhece cada sacrifício de sua matriarca feito pela família. Lucas gosta do livro e também da novela, e garante que o que mais lhe empolga com a versão no ar é a atualização para os dias atuais.

“Inevitavelmente, quando a autora escreveu o livro, não tínhamos um movimento feminista tão expressivo, então almejar o casamento e ser dona do lar era quase como um o destino de toda e qualquer mulher. No livro não fica claro a defesa de um ponto de vista diferente, mas entendo que esse não é o foco da história”, analisa o rapaz

Perguntei aos entrevistados se os dois interpretavam como um desrespeito à obra de Maria José Dupré a alteração deste remake no clássico final do livro. “Não, eu não vejo como desrespeito. É uma versão. Acho até que o nome da Maria José Dupré está muito pequeno na abertura. As pessoas tem essa liberdade poética de pegar uma história como inspiração e refazer”, pontuou Karol.

Como já relatado, Lucas vê as mudanças com bons olhos. “Acho que a novela, por ser uma livre adaptação, conseguiu ter êxito nas escolhas que foram diferentes do livro. Mas pessoalmente, gosto mais do final do livro”, concluiu.

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OPINIÃO Folhetim.

A Revista Folhetim. vê as alterações propostas no remake de 2019 como desrespeito. Se Maria José Dupré não gostou quando ainda na primeira versão televisiva inventaram uma amante para Júlio, que dirá um desfecho radicalmente diferente para sua protagonista. Finais são marcantes e simbólicos. Não se deve pegar uma obra pronta, de valor sentimental para uma multidão e para sua falecida criadora, e alterá-la em diversos aspectos. Conte a sua própria história. Não se mexe com a memória afetiva das pessoas. Ninguém se coloca no lugar do autor da obra-mãe, por mais que ele já não esteja entre nós. Imagina se você escrevesse um conto com final épico e anos depois alguém decidisse recontar sua história mudando os elementos mais importantes que você criou. Como você se sentiria? O apelo comercial do título “Éramos Seis” pesa muito, mas este remake maculou a obra original. Não pela ‘ousadia’ nas atualizações, mas sim pelo desrespeito com a própria Dupré. Como ela reagiria a esse desfecho?

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